Laços Afetivos

Alba Leonor
Brasil

    Quando falamos de laços afetivos, para a maioria das pessoas, a primeira ideia que nos vem à mente é o lar, a família consanguínea, mas, “não são os da consanguinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de ideias, os quais prendem os Espíritos antes, durante e depois de suas encarnações.” *

 

    Somos seres perfectíveis; ou seja, estamos em constante evolução, e aqueles dos quais não gostamos hoje, aprenderemos a amá-los amanhã.

 

    Vemos a grande solidariedade e o amor sublime do Criador por suas criaturas, permitindo que amigos, irmãos, pais, filhos e inimigos se reencontrem para se apoiar, ajudar e resgatar dívidas do passado. 

    Na Terra se justifica que toda criatura encontra a assistência de outras que respiram o mesmo grau de afetividade. Da mesma forma, é natural que as inteligências que vivem nas esferas superiores se dediquem ao cuidado e à orientação daqueles companheiros que recorrem à reencarnação para seu progresso e perfeição.  

    Os parentes no planeta tornam-se filtros da família espiritual que se manifesta além da existência física, mantendo os laços pré-existentes entre aqueles com quem convivem. 

    Olhando para as vidas passadas de todos os membros da família terrena, ela é composta de espíritos diversos, pois nela se encontram comumente carinho e ódio, amigos e inimigos, a fim de aparar as arestas ásperas indispensáveis diante das leis do destino.

    No Livro dos Espíritos em questão 204, encontramos: 

Uma vez que temos tido muitas existências, a nossa parentela vai além da que a existência atual nos criou?

    “Não pode ser de outra maneira. A sucessão das existências corporais estabelece entre os Espíritos ligações que remontam às vossas existências anteriores. Daí, muitas vezes, a simpatia que vem a existir entre vós e certos Espíritos que vos parecem estranhos.” **

    O objetivo das leis Divinas é que todos nós, através das várias reencarnações, sejamos capazes de converter desafetos em laços de fraternidade e aprendamos a amar uns aos outros como verdadeiros irmãos e irmãs.

    O Espírito de Emmanuel nos esclarece:  “Em matéria de afetividade, no curso dos séculos, vezes inúmeras disparamos na direção do narcisismo e, estirados na volúpia do prazer estéril, espezinhamos sentimentos alheios, impelindo criaturas estimáveis e nobres a processos de angústia e criminalidade, depois de prendê-las a nós mesmos com o vínculo de promessas brilhantes, das quais nos descartamos em movimentação imponderada. Mas Emmanuel também nos lembra: “a Justiça Divina alcança também os contraventores da Lei do Amor e determina se lhes instale nas consciências os reflexos do saque afetivo que perpetram contra os outros.”***

    Em relação ao afeto, nada se esconde aos olhos de Deus, o devedor de ontem aprende a sentir o aroma suave do verdadeiro amor. Como mencionado abaixo, estamos imersos em um processo de constante evolução, onde os laços de afeto estão se tornando cada vez mais fortes, pois eles são sustentados pela Lei do Amor. Lei que cedo ou tarde virá a envolver a todos, indo além dos laços de consanguinidade e a verdadeira família será a Espiritual, onde iremos nos amar como irmãos e irmãs, experimentando a VERDADEIRA FRATERNIDADE.

    Como conhecedores do Espiritismo, do Consolador que nos mostra o caminho certo a seguir para que, através do estudo, do compromisso e do trabalho constante sobre nós mesmos, possamos alcançar a responsabilidade de nos tornar homens e mulheres que vivem a doutrina, desenvolvendo o verdadeiro Sentido Moral; e que, como Espíritas, possamos dizer que estamos aqui, Jesus, prontos para cristificar o afeto entre os seres da terra.

 

Bibliografia:

* Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XIV: Honrai a vossa pai e a vossa mãe. A parentela corporal e a parentela espiritual. Kardecpedia.com

** Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Parte Segunda Parentesco filial. Pergunta 204. Kardecpedia.com

*** Xavier, Francisco Cândido. Espírito Emmanuel. (1970). Vida e Sexo. Capítulo 6. FEB

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