A famosa atriz Clairon foi assombrada por sons misteriosos durante dois anos e meio após recusar o último pedido de um admirador apaixonado que morreu de tristeza.

Revista Espírita, fevereiro de 1858

 

A famosa atriz Clairon foi assombrada por sons misteriosos durante dois anos e meio após recusar o último pedido de um admirador apaixonado que morreu de tristeza.

“Ah, Paris inteira conhecia La Clairon, a maior atriz da França dos meus tempos de ouro, e a história do fantasma que me assombrou por dois anos e meio… Pelo visto, as novas gerações não! Então, permita-me apresentar: esta é a minha história.”

A senhorita Clairon era muito conhecida por sua beleza.

Um jovem chamado senhor de S… se apaixonou perdidamente por ela. Mas ela só queria amizade.

Como ele insistia demais e isso começou a incomodá-la, ela decidiu se afastar dele de vez.

O rapaz ficou muito triste e adoeceu. Quando sentiu que sua vida estava chegando ao fim, pediu para me ver uma última vez antes de partir.

Eu não pude aceitar, porque ia receber alguns familiares e amigos na minha casa para um jantar.

Então, ele morreu sozinho, com apenas seus empregados e uma senhora idosa ao lado.

Na noite da morte dele, Clairon estava em casa, com a mãe e alguns amigos, cantando músicas felizes.

De repente, às 11 horas da noite, todos ouviram um grito muito alto e assustador, que parecia vir do nada. Foi tão forte que Clairon desmaiou e ficou quase 15 minutos desacordada.

Aquele grito se tornou parte da rotina. Todo noite, pontualmente às onze, o som inexplicável ecoava pela casa, perturbando a todos: família, amigos, vizinhos e até a polícia. Ninguém sabia de onde vinha, mas para mim, havia algo.

Todos na cidade falavam sobre ele, sobre o meu “fantasma”, e algumas outras pessoas estiveram comigo quando o grito apareceu… Por exemplo, quando fui fazer compras com meu amigo Rosely, que me desafiou a evocar o espírito para que eu provasse sua existência, e, quando chamei pelo meu perseguidor, ele não só me respondeu, como gritou três vezes, de um jeito tão assustador que ficamos desmaiados, eu e meu amigo, até que alguém nos tirasse da carruagem.

Eu estava hospedada numa casa na cidade de Versalhes, onde ia me apresentar, acompanhada de uma colega de quarto, a Sra. Grandval. Estávamos conversando no meio da noite, e eu disse a ela: “não é possível que meu fantasma possa me encontrar aqui, estou tão longe de casa!” … De repente, o quarto foi tomado pelo grito.
Essa foi a última vez que ouvimos o grito, mas ainda assim, ninguém conseguiu dormir naquela noite.

Tiros de fuzil começaram a atingir minha janela todas as noites, sempre às onze. O estranho é que a janela nunca quebrava, apesar do barulho e impacto visíveis. A polícia não encontrou ninguém. Suspeito que seja meu fantasma, mas agora ele usa armas. Será que ele quer me matar?

Um dia, ao me encostar na janela com um amigo, o tiro soou, nos jogando para o meio da sala. Levantamos com os rostos marcados, como se tivéssemos levado um tapa. A estranheza da situação nos fez rir histericamente.

Depois, os tiros foram substituídos por palmas diárias, e estas por uma bela voz cantando, sempre às onze da noite. Esses sons duraram dois anos e meio, e me deixaram curiosa sobre a mudança do “fantasma”, da violência à música.

A senhora que acompanhou o Sr. Sebastian em seus últimos momentos revelou suas últimas palavras: ele prometeu perseguir “ela” após a morte, por ela ter sido “cruel”.

Allan Kardec, na Revista Espírita (1858), explica que o Sr. Sebastian era o fantasma de Mademoiselle Clairon, cumprindo sua promessa de persegui-la após a morte. Inicialmente movido por vingança e ódio, ele se apegou a ela, mas, ao superar esses sentimentos, despediu-se com aplausos.

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